O mercado de tecnologia avança em um ritmo sem precedentes e, para as empresas brasileiras, acompanhar essa velocidade é uma questão de sobrevivência. O Google Cloud Next 2026 ditou os novos rumos da evolução tecnológica global, deixando clara a intenção do Google de se posicionar como o principal player na era dos agentes de IA.
Para o Brasil, o evento ganhou uma versão local em São Paulo, o Google Cloud Best of Next, realizado em 12 de maio, para acelerar a difusão dessas novidades no mercado brasileiro.
Mais do que apresentar ferramentas, este foi um momento repleto de insights para que os C-levels compreendessem, na prática e por meio de casos de uso, o que realmente impulsiona o sucesso de uma transformação tecnológica. Um sucesso construído a partir de uma estratégia sólida de cultura organizacional e da adoção consistente pelos colaboradores.

O Google Cloud Next se consolidou como um dos eventos mais importantes do setor de tecnologia global, reunindo desenvolvedores, empresas e líderes de TI para apresentar as principais inovações em computação em nuvem, inteligência artificial, dados e cibersegurança.
Realizado anualmente, é referência para tendências tecnológicas ao apresentar soluções que rapidamente passam a ser adotadas pelo mercado. Em 2026, o tema central foi a chamada Era Agêntica, marcada pela evolução de agentes autônomos de IA para empresas.
Durante o evento, o Google Cloud destacou que quase 75% dos seus clientes já utilizam produtos de inteligência artificial, enquanto 330 empresas processaram mais de 1 trilhão de tokens nos últimos 12 meses e 35 ultrapassaram a marca de 10 trilhões.
Se antes a tecnologia nas empresas servia para automatizar tarefas mecânicas, hoje a IA serve para aumentar a capacidade cognitiva das organizações.
O impacto prático pode ser dividido em quatro grandes pilares:
No início, a automação empresarial lidava com tarefas repetitivas baseadas em regras fixas (como preencher uma planilha). Com a IA, entramos na era dos agentes autônomos, em que esses sistemas executam ordens, analisam o contexto, tomam decisões intermediárias e resolvem problemas complexos sem supervisão humana constante.
O Gemini Enterprise Agent Platform materializa esse conceito ao funcionar como uma plataforma corporativa de IA para criar, conectar e operar esses agentes.
Integrado ao Google Workspace e conectado a dados corporativos (sejam do ecossistema Google ou de ferramentas como Jira, ServiceNow e SharePoint), ele permite que as equipes construam agentes focados em tarefas de negócio específicas, automatizando processos de ponta a ponta com segurança, governança e controle de escala, indo muito além de um simples chatbot.

As empresas sempre coletaram dados, mas a maioria não conseguia processá-los a tempo de tomar decisões estratégicas. Com a IA agêntica, a arquitetura de dados deixa de ser um arquivo de relatórios reativos e passa a funcionar como um sistema de ação em tempo real.
Por exemplo, através do Agentic Data Cloud, analistas e engenheiros utilizam o Data Agent Kit para realizar desenvolvimento orientado por intenção (em Python, Spark e SQL) usando linguagem natural, reduzindo drasticamente o esforço manual de programação e busca.
Antigamente, customizar um produto ou atendimento para cada cliente era caro e ineficiente. A IA permite que as empresas analisem o comportamento individual de milhões de consumidores simultaneamente. Isso se traduz em recomendações de produtos precisas, campanhas de marketing personalizadas e interfaces de software que se adaptam ao jeito de cada usuário.
Um exemplo apresentado no Cloud Next é do eBay que utiliza a plataforma Gemini Enterprise Agent Platform para operar um agente de re-comércio multimodal. A solução conecta imagens, voz e interações do mundo real diretamente à experiência de compra e venda, permitindo jornadas mais naturais, contextualizadas e personalizadas para os usuários por meio do Gemini Live.
No desenvolvimento de software e criação de novos produtos tecnológicos, a IA atua como um parceiro operacional. Ela gera códigos, testa falhas de segurança e cria protótipos em uma fração do tempo que equipes humanas levariam. Isso reduziu drasticamente o time-to-market (o tempo que leva entre ter uma ideia e lançá-la no mercado).
Outro caso apresentado foi o da Virgin Voyages, que está usando o Gemini Enterprise para criar e gerenciar mais de 1000 agentes de IA especializados, incluindo mais de 50 para reduzir os tempos de criação de campanhas em 40%.
A implementação técnica de uma ferramenta de ponta representa uma fração do caminho. O desafio do mercado é garantir que as lideranças e colaboradores extraiam valor real dela no dia a dia. Quando se discute a "plataformização de IA", o maior obstáculo não está no time de tecnologia, que já consome essas soluções há anos.
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Como pontuou Amanda Camarinho, AI Manager do Grupo SBF (detentor da Centauro), em uma estrutura de grande porte onde a maior parte da receita vem das lojas físicas, o nivelamento de conhecimento é complexo e exige romper barreiras:
"Acho que um dos principais desafios foi em relação ao nivelamento de conhecimento. Quando a gente fala de plataforma, a gente está falando de todo mundo, a gente não está falando de tecnologia, a gente está falando da operação de loja. É um pouco difícil, existe uma resistência das pessoas em entender isso".
Além da resistência, há a preocupação com o controle de custos corporativos. Implementar inteligência artificial sem sistemas rígidos de monitoramento pode explodir os orçamentos de forma imprevisível. Conforme destacou Amanda, entender e gerenciar esses gastos é uma prioridade unânime no C-level: "FinOps é uma grande preocupação de todos os executivos, com o custo que isso vai gerar para a empresa, muito além de contratação da ferramenta".
Preparar as pessoas para a coexistência com inteligências artificiais é um processo que exige metodologia. Sem alinhar a tecnologia à cultura da empresa, as licenças de software viram custos obsoletos. A adoção de IA nas empresas de sucesso passa por capacitar colaboradores, incentivar uma mentalidade baseada no "mão na massa" e promover o letramento digital.
Alline Antóquio, diretora executiva da Gentrop, enfatizou durante o evento que o papel da TI mudou drasticamente: ela deixou de ser uma área isolada para atuar como uma consultora interna voltada a apoiar as áreas de negócios a resolverem seus problemas reais.
Segundo ela, a gestão de mudança cultural (Change Management) é o fator determinante para o sucesso dos projetos:
"Ainda é uma peça essencial para você escalar, para você de fato resolver dores de negócio. Ensinar as pessoas o poder da IA. Da tecnologia ser um orientador. Costumo dizer a todos, falar para os clientes, o change é o grande motivo do sucesso dessa transformação".
Alline explicou ainda que um projeto só ganha tração quando as histórias de sucesso na prática são compartilhadas: "Quando a gente motiva alguém a contar uma história que deu certo, a gente desperta interesse de outras pessoas para querer fazer diferente também".
A união entre a tecnologia do Gemini Enterprise e a metodologia de aculturamento da Gentrop tem gerado casos de sucesso reais e expressivos na rotina corporativa. O principal exemplo prático vem do Grupo SBF, que decidiu reestruturar sua abordagem tecnológica após notar que colaboradores estavam inserindo dados da empresa em ferramentas públicas não homologadas, gerando sérios riscos de segurança.
Em vez de apenas distribuir as novas ferramentas adquiridas, a empresa decidiu estruturar uma plataforma centralizada, segura e escalável, integrando todas as soluções do Google com forte governança.
A partir da parceria com a Gentrop, os resultados operacionais escalaram rapidamente:
Ao detalhar essa experiência de sucesso no palco do evento, Amanda Camarinho deixou um ensinamento claro para outras lideranças que buscam o mesmo caminho: "O maior ensinamento que eu posso trazer para vocês é não tenham medo de parar para estruturar a governança. É superimportante. A gente fala que é só implantar a ferramenta, mas não é. Na hora que você disponibiliza isso para todo mundo, logs, controle, plataforma, faz muita diferença".
O retorno sobre o investimento (ROI) em projetos de inteligência artificial deve ir além das métricas financeiras tradicionais, considerando também eficiência operacional e sustentabilidade no uso diário da tecnologia. O Grupo SBF, por exemplo, já consegue comprovar ganhos a partir das seguintes métricas de sucesso:
O Google Cloud Next evidencia a transição do mercado da IA assistiva básica — que apenas sugere textos ou gera imagens isoladas — para agentes de IA corporativos integrados. A grande virada de chave é a maturidade tecnológica para construir soluções capazes de se conectar a dados internos, automatizar fluxos de trabalho e operar com recursos avançados de segurança, governança e auditoria. Ferramentas como o Gemini Enterprise Agent Platform consolidam-se como plataformas para gerenciar esses agentes, mitigando riscos de conformidade por meio de camadas robustas de controle de acesso e monitoramento.
Implementar uma tecnologia é a etapa técnica e operacional: envolve a aquisição de licenças, configurações de infraestrutura, integrações e liberação de acessos, além de decisões iniciais de segurança e governança. Garantir a adoção de IA, por sua vez, é um processo cultural e humano, que exige capacitação, clareza de valor e acompanhamento estratégico para a incorporação da ferramenta na rotina. Em suma, tecnologia instalada e homologada não é o mesmo que tecnologia usada com consistência, maturidade e geração de valor real no dia a dia das equipes.
A gestão de mudança (Change Management) é um fator crítico para o sucesso de novos projetos tecnológicos porque atua como a ponte entre a implementação técnica e o resultado prático. Ela conecta a solução ao uso real do dia a dia, reduz as resistências naturais das equipes diante da inovação e apoia a mudança de comportamento no trabalho. Ao focar na capacitação, na comunicação clara e no alinhamento de competências entre as áreas, a gestão de mudança garante que as ferramentas de última geração sejam aproveitadas em todo o seu potencial, aumentando as chances de retorno sobre o investimento (ROI).
O parceiro estratégico atua como um facilitador na modernização de infraestruturas, auxiliando no desenho de diretrizes de governança para mitigar riscos de exposição de dados e acelerando o retorno sobre os investimentos tecnológicos. No ecossistema oficial, esses agentes trazem a bagagem prática necessária para encurtar caminhos e elevar a qualidade das implementações.
A relevância desse suporte ganha contornos reais com o exemplo da Gentrop, cuja excelência técnica e foco em negócios foram chancelados pelo Google com o prêmio de Partner of the Year em Inteligência Artificial para a América Latina, conquista que se somou ao reconhecimento anterior na categoria de Workspace. Isso comprova que contar com um aliado premiado faz a diferença para transformar o potencial da IA em resultados organizacionais consolidados.
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